// Sobre ego e egoísmo

Longe de ti, perto da saudade que você deixa quando decide
não mais me ter, e por temer te perder, me perdi o tanto que
me encontrei nessa saudade do que a gente viveu e poderia
viver se não tivéssemos tanto medo de se entregar pra um
amor que nos assombra, e mesmo assim, eu sempre corro
pro  mais  perto  de  nós, o que me faça te carregar mais
próximo ou mais perto e que imersa de vez essa distancia,
lá eu estarei, de corpo e alma, cabeça e coração, eu sou
completamente ciente do que sinto, não me abstenho,
me entrego e me jogo como quem não tem nada a perder,
e logo eu, que já perdi tanto, te perder seria a dor mais
imensurável que esse meu coração perdedor poderia sentir,
e de perdas eu sei bem, sempre abro a gaiola para os
pássaros voarem, afinal, a liberdade existe pra quem sabe
usá-la, e eu soube, decidi ser livre do lado de quem eu menos
esperava e que eu mais esperei. Se eu pudesse descrever
o que eu sinto, usaria a metáfora das flores pra dizer que
um jardim cheio de flores, mesmo repleto de beleza,
sempre terá a flor mais linda, e que se destaca, provável
que ninguém além de mim entenda isso, mas como a boa
egoísta que dizem que sou, pra bom entendedor o meu
silêncio basta. Não rego todas as flores como eu te reguei,
porque em ti via a beleza que o resto do meu jardim não
chegaria nem próximo de ter; O amor tem cor, tem lados,
tem olhos claros...
Ser egoísta nunca esteve em meus planos, se eu falo de
amor, é óbvio que eu falo de mim, e quem achar ruim
que tome pra si os meus sentimentos, que por mais intensos
e sinceros que sejam, são meus e se eu falo de amor,
falo de mim, sou eu quem sinto, por mais que sejam
sobre alguém, um alguém com os olhos mais lindos,
é sempre sobre quem te amou até mesmo quando você
fechou os olhos...

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