Devaneios da vida adulta...

Sempre que chove, eu lembro da minha infância
aquela chuva forte, de rasgar o céu
parece poético dizer, mas...
Não se chove mais como chovia antes
literalmente...
e nem sinto mais como eu sentia antes
Mas isso é intrínseco à vida
A gente cresce e vai perdendo a “euforia” de viver, e vive, porque tem que viver, não porque ama viver, entende?
23 de novembro de 2004, 22:14 da noite, fazia chuva, e na antiga casa da minha vó, jogávamos vídeo game, meu polistation era meu brinquedo favorito, meu cartucho amarelo que tinha o jogo do contra, do mogli e o pikachu eram meus favoritos... e eu juro que posso sentir, dentro de mim, a felicidade genuína que eu sentia nessa época, e sabe por que que eu sinto?
Porque em alguma bela noite de 2004 eu lembro o quão feliz eu fui; 
Em algum lindo dia jogando peteca na rua molhada e cheia de lama, sem camisa, eu lembro o quão feliz eu fui; 
Subindo a árvore da frente do terreno abandonado - que hoje é a casa da minha vó - pra brincar, la em cima, eu lembro, no sentir do vento, no pingar da chuva, no balançar das folhas, o quão feliz eu fui;
Em alguma tarde, sol beirando o fim, o início da noite chegando, brincando de garrafão eu me lembro, como se fosse ontem, o quão feliz eu fui; 
Pela noite, brincando de aranha no buraco, correndo até o jambeiro da dona Socorro pra não apanhar de pano sujo, eu lembro, e lembro detalhadamente, o quão feliz eu fui, daquelas felicidades que se pode vencer na vida profissionalmente, amorosamente e emocionalmente, mas a gente nunca mais sente uma felicidade daquelas, é coisa de criança, coisa de felicidade pura. 
Quando a gente cresce, entende o que é pureza, porque não mais a sente; Entende inocência, porque não mais a sente; Entende a vida, não porque não a sente, justamente por passar a entender, que entendemos, que “ser criança” é o mais puro, inocente e genuíno jeito de sentir ...

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